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O papel dos Oraculistas
Há muito tempo atrás nos anos noventa, quando eu era criança, havia alguns “ditados” populares que misturavam preconceitos, ignorâncias, bom humor e verdades.
Entre eles existiam: “Psicólogo de pobre é pai de santo”, “Vai procurar uma benzedeira pra tirar essa inhaca”, “eu não sei, não sou cigana pra dizer o futuro”, entre outros.
Os tempos mudaram e muito. Hoje em dia um psicólogo custa mais barato que muitos jogos com pais de santo; benzedeiras e curadores às vezes nos deixam mais carregados do que quando entramos, e quando nos consultamos com mais de uma pessoa, ou até a mesma pessoa mais de uma vez, ouvimos tantas versões do mesmo futuro que duvidamos até do presente.
Isso é devido à marketização e popularização da espiritualidade com a internet. De repente, a consulta espiritual deixou de ser um último recurso, e virou alvo de curiosidade para quem desconhece, ganância para quem acredita em promessas e esperança para quem se sente impotente.

Eu acho muito legal que a espiritualidade esteja mais em voga do que nunca no Brasil. Que a gente possa falar sobre isso e divulgar, inclusive de forma profissional.
O problema deste capitalismo espiritual é transformar a consulta particular, o atendimento, num produto que precisa de propaganda.
Isso porque propaganda é feita de exageros, blefes e promessas que nem sempre poderá cumprir, e ela é a “alma do negócio”.

Eu não acho ruim usar propaganda num mundo capitalista e líquido, nem mesmo numa paquera, em qualquer tipo de competição feroz e desigual. Na espiritualidade, no entanto, isso retira o sentido de ser.
Se uma consulta oracular oferece promessas ao invés de conhecimentos, exagero no lugar de consciência e blefe ao invés de conteúdo, o seu benefício, na melhor das hipóteses, vai ser mínimo; seria melhor procurar um psicólogo ou até mesmo um coach.
O literal e o Simbólico:
A principal pedra de tropeço é que a linguagem oracular é simbólica. Ela nunca é literal. Não importa se você utiliza cartas de Tarot, I Ching, Runas, Búzios, fumaça, pipoca, borra de café…você vai estar lidando com símbolos que devem ser INTERPRETADOS, traduzidos e comunicados.
Nestes três processos que são a interpretação (sentimento), tradução (conhecimento) e comunicação (habilidade interpessoal) existe um amplo espaço para enganos, opiniões pessoais, preconceitos, achismos e crenças limitantes por parte do oraculista.
Quando o oráculo é usado de forma literal, ele dificilmente passa pelo crivo da interpretação, a tradução é feita de maneira pobre e a comunicação de maneira grosseira.
É por isso que é preciso procurar um oraculista que “fale a sua língua” ou que você admire e se identifique com o CONTEÚDO, não com a propaganda.
Outra consequência é que muitas vezes um oraculista que foi bom na interpretação, tradução e comunicação com uma pessoa, pode não funcionar ou até mesmo ser prejudicial para você.
Estes três princípios da consulta oracular variam da habilidade do oraculista, mas também da percepção, situação e necessidade do consulente.
Tarot e Oráculos Diversos
Existem muitos tipos de oráculos, e dependendo de sua tradição, estudo ou prática herdada, o oraculista vai escolher aquele que melhor se adequa a sua linguagem.
O Tarot é possivelmente a forma mais famosa de oráculo do mundo. Temos toda uma instrução já apresentando o Tarot e seu uso aqui; ele é composto de 78 cartas, entre arcanos maiores (que trazem arquétipos esotéricos) e menores (que trazem forças e situações comuns à vida cotidiana).

A riqueza do Tarot está no fato de que cada baralho responde de forma diferente, trazendo uma linguagem nova para a mesa do oraculista. O oráculo vai ser porta para a intuição do oraculista e a energia do momento com o consulente.
O famoso Tarot de Waite e o Tarot de Thoth por exemplo, vão trazer símbolos, intensidades e até mesmo significados bastante diferentes, por isso é importante que o oraculista não seja alguém que fez “um curso” de significados das cartas, mas que tenha intimidade com o instrumento oracular, sob risco de fazer uma consulta de “adivinhações” sem nexo e previsões que parecem sentenças.
Existem muitos outros tipos de oráculos, alguns vão usar cartas, outros pedras, outros ainda fumaça, moedas, e cada cultura vai ter seus oráculos próprios, nenhum é melhor do que o outro; o oraculista e sua intimidade com o oráculo é que faz a leitura ser assertiva ou prejudicial, boa ou ruim.
Jogo Perigoso ou instrumento sagrado?
Existem sim perigos numa consulta oracular, para o oraculista e para o consulente, e nós vamos falar sobre alguns deles ao longo do texto, a partir de agora.
Eu quero começar te apresentando o primeiro perigo para o oraculista (o que dá a consulta) para que, caso você assim trabalhe, se proteja.
A Troca Energética:
Existe uma troca energética que começa no momento que alguém com um “problema”, questão ou dúvida espiritual procura a pessoa que busca as respostas a mais tempo, que tem um trabalho profissional com isso, um costume de atender, o(a) oraculista.
Essa troca acontece de forma quase imperceptível, e quando ela não é amparada por uma egrégora de espíritos ou templo que se beneficie do trabalho do oraculista e o ajude, ela necessita ser física.
Nas trocas metafísicas (além do físico), a egrégora deve sustentar energeticamente e ajudar nas questões diárias do oraculista, e isso é bem mais raro do que gostaríamos. O fato é que o oraculista precisa da energia física dele para se disponibilizar em uma consulta.
Tempo, conhecimento, empatia com problemas e confusões alheios gastam uma energia vital que não pode ser reposta com a energia astral, pois são físicos. E é por isso que desde os primórdios o “Pajé” não precisa caçar, ele recebe pelos seus trabalhos, e é tratado como um líder, uma necessidade.
Hoje não vivemos em tribos, mas em sociedade, e esse grupo de “sócios” em convivência só garante a subsistência na troca, e para que essa troca seja mais “justa” ela é monetária, do contrário quem vai julgar o valor do seu afeto, do seu tempo, da sua disponibilidade?
É por isso que fazer consulta de “graça”, ou cobrando algo que não supre suas necessidades só vai fazer com que você dê uma parte de vida que não poderá recuperar, nem nesta encarnação nem no astral.

Enteógenos e Oraculistas:
Eu vou te confessar algo que talvez você não saiba. E não é o fato de eu ter estudado psicologia, mas sim de que todo psicólogo tem um psicoterapeuta.
Isso mesmo, você pode ser o psicólogo mais “freud” do mundo, ainda assim não vai poder colocar um espelho num sofá e fazer uma auto consulta.
Oraculistas, por sua vez, tem os seus oraculistas. Mentores tem seus mestres, e a vida de todo mundo que é “útil” está sempre ligada à quem o ensina ou auxilia a ter utilidade.
Eu não sou diferente. Consciente de que não é o oráculo que deve ser buscado em momentos de confusão, mas sim o oraculista, eu mesmo, um oraculista que avalia, entende e resignifica problemas alheios, preciso me ouvir falar e ter um parecer de outro oraculista de confiança.

Uma coisa que sempre me perturbou foi o uso de medicinas em consulta. Não pelo fato de parecer menos sério, ou por ser contrário a qualquer tipo de enteógeno, mas é que baseados, rapé, fumos e chás levam a estados conscienciais diferentes (dependendo do que é usado), e isso não é legal na MAIORIA das vezes.
Não digo que seja algo proibido, nem que seja algo “errado”. Uma das minhas primeiras mestras de oráculo, inclusive, utilizava (e usa até hoje pelo que vejo sempre que vou ao Brasil e a encontro) doses cavalares de rapé indígena para “ver” a energia do consulente.
O problema é que a maioria dos oraculistas e consultores, entram num estado “metafísico” demais, acima das coisas mundanas ao utilizar substâncias, e vamos ser sinceros…pelo menos nove de dez consulentes não estão procurando por conselho espiritual ou contato com seus guias, mas sim trazem problemas cotidianos e terrenos que nada físico resolveu.
A imensa maioria dos consulentes tem dúvidas, confusões, problemas e “travas” na vida do aqui e agora, e a espiritualidade é a última forma de compreensão destes problemas.
Eles não querem ouvir que todos sofrem também, e que seu problema é “comum”. Dor compartilhada não é dor diminuída, às vezes, se não for compreendida, é até dor somada.
Quando passei pela dor da separação de um casamento (com filhos), descobri rapidamente em meus estudos sobre isso, que eu não apenas não era “único”, mas que essa é uma dor incrivelmente comum e “democrática”.
A dissolução da família, a traição e a dissolvição do que você foi nos últimos anos, pega artistas, famosos, ricos, pobres, espiritualistas, religiosos, ateus, ocidentais e orientais, homens e mulheres…sem qualquer distinção.
A descoberta dessa imensa rede de pessoas que sofreram, sofrem e sofrerão dores semelhantes não diminuiu a minha.
Quando a gente está com dor não quer saber dos outros; a dor nos faz voltar para nós mesmos, dar atenção à algo que foi quebrado para ser reparado, essa é a sua função biológica e psicológica.

– Aguenta filha, que “a vida é sofrimento”
É muito chato desnudar uma dor na frente de alguém, confessar um problema e sentir que a pessoa não compreendeu porque estava num estado de consciência “elevado” demais para isso.
O fato é que, para uma consulta, temos que estar físicos o suficiente, aterrados e ancorados o suficiente nas dores humanas para entender as feridas de quem nos procura.
Precisamos ter mais do que ouvidos, também um coração aberto e uma mente ativa e presente para poder elaborar aquela dor, direcionar e instruir. Sem isso a consulta não faz sentido e perde o valor.
O perigo e a função da Consulta
Uma consulta tem função, e obviamente não é massagear ego ou iludir positivamente o consulente. A função da consulta é ESCLARECER, instruir e clarear.
Esqueça as promessas e propagandas do capitalismo espiritual falando sobre resolver seus problemas, sobre prever seu futuro, adivinhar coisas ou pior…te enriquecer rápido ou trazer quem não te quer (e te tratou como lixo) de volta. Isso é balela, enrolação.
Juntando-se às promessas de inconsequentes, vem a ignorância dos despreparados. É por este despreparo, mesmo de pessoas experientes, em lidar com quem se entrega aos seus conselhos, que uma consulta pode se tornar bastante perigosa.

Já vi pessoas saírem obsediadas depois de consultas. Outras, perturbadas, iradas e algumas até mesmo desistindo em desespero. Isso é o que uma consulta ruim pode fazer na sua vida.
Vamos agora avaliar algumas coisas essenciais, que um oraculista DEVE saber para fazer uma boa consulta e, logo depois, coisas que um consulente DEVE saber para ganhar proveito disso.
Para o Oraculista:
A pessoa não pode sair pior
Se numa sessão ou consulta a pessoa sai mais perturbada, mais amedrontada ou se sentindo ainda mais frágil, a sessão foi um fracasso.
Você não precisa “resolver” os problemas da pessoa, não precisa iludir ela para que se sinta mais alegre, nem muito menos fazer com que ela saia da consulta dando pulos de alegria.
No entanto, se a pessoa sai pior, você apenas amplificou os medos e as influências negativas ou crenças limitantes que já estavam em volta dela.
Fale com uma criança
É importante que o oraculista tenha modo de falar. A parte da comunicação é essencial, e eu sei que muito oraculista pula essa parte. Cada um tem seu jeito de falar socialmente, e eu mesmo me expresso com palavrões, gírias cariocas e humor de quinta série nas minhas aulas.
O problema é que, ao contrário das aulas, a pessoa não está recebendo uma instrução grupal, está revelando problemas, dúvidas e sentimentos que fogem do escopo da comunicação “social”, e quanto mais pessoal for a situação, mais íntimo é este contato.
Neste caso, a sua linguagem social deveria se adaptar também à linguagem da comunicação. Verdades sem compaixão são como uma comida que depois de cozinhada é jogada diretamente da panela em cima da mesa.
Palavras duras, previsões trágicas e críticas abertas podem parecer mais “originais”, mais diretas e até “fortes”, mas são mera falta de educação e empatia.
Se a pessoa quisesse um conselho de “amigo sincero” não estaria pagando a sua consulta. Ela quer esclarecimento. E não pode haver esclarecimento onde existe medo, culpa ou inferioridade.
É importante falar com o consulente da mesma forma que você falaria com um aluno de dez anos, que vai à mesa do professor para fazer uma pergunta na frente de todos os colegas da classe.
O literal tira a força
Após um “curso” de significados, ou após estudar as cartas de um determinado baralho, ou aprender sobre um novo oráculo, existe uma tentação de usar o oráculo como se fosse “médium” do oráculo em si, falando em seu nome e literalmente.
Não faça isso. A forma mais rápida de perder a comunicação com a espiritualidade e de atrapalhar a sua mediunidade durante uma consulta, é justamente utilizar o oráculo como a resposta direta ao consulente.
Como dissemos antes, o oraculista é pago porque ao contrário de quando compramos um baralho de Tarot e tiramos três cartas ao sabor da sorte, precisamos de interpretação, tradução e comunicação.
Já vi consultas se perderem totalmente quando o oraculista, que já tinha plena noção da situação e sensitividade em relação ao que poderia ser feito, apelou para os significados literais das cartas que saíam na tirada.
Mais uma vez, não faça isso! O oráculo em si é como um livro em outra língua; sozinho ele não significa nada para o contexto do consulente fora da sua consulta.

Vou me Bigodar
Qualquer pessoa que atenda alguém que diga querer dar cabo da própria vida, está se colocando, caso venha a acontecer o pior, como um alvo de investigação direta após o “enbigodamento”.
Caso você, oraculista, perceba alguém assim, deixe o ego de salvador espiritual, cristo do pentagrama invertido, de lado.
Não é função (e é extremamente perigoso) do oraculista lidar com este tipo de “ameaça” (sim, é uma ameaça).
O CVV (Centro de Valorização à Vida) é o órgão responsável com voluntários treinados para este tipo de diálogo. Passe o número emergencial 188 para quem estiver nesta situação. NÃO DÊ, NÃO OFEREÇA CONSULTA NEM RECEBA DINHEIRO neste caso, sob hipótese alguma.
A manipulação
O maior medo de alguém ao consultar um oraculista não é receber notícias ruins, é ser manipulado ou ter sua confiança utilizada de alguma forma para benefício de outros.
Uma das maiores covardias que um oraculista pode cometer é utilizar da linguagem do oráculo, ou pior, do nome de espíritos, e dizer em nome da espiritualidade algo que ELE(A) gostaria que você fizesse ou pagasse.
É muito fácil fazer com que uma pessoa que revelou detalhes de um problema, que está provavelmente em estado de perturbação, ou que confia no oraculista como porta-voz de algo sagrado, acredite em maldições, ameaças veladas (como se fossem previsões) e saia da consulta em “dívida” com o(a) oraculista.
Na dúvida, desconfie da dívida, especialmente se ao “pagá-la” a única pessoa que visivelmente será beneficiada será quem estava te atendendo.
É claro que por vezes devemos coisas à espiritualidade; é claro que muitas vezes é preciso fazer um rito ou feitiço para resolver determinada coisa que foi vista em consulta! É possível que a solução passada custe dinheiro, esforço e boa vontade.
O que não é natural é sair de uma consulta coagida(o) a fazer algo que não quer, que se sente desconfortável ou que contraria o bom senso para você, só porque pareceu que “a espiritualidade” mandou.
O Consulente:
Logicamente, o consulente também tem uma série de conceitos a seguir. Uma boa consulta não é feita por um bom oráculo, nem por um bom oraculista. É feita por um(a) oraculista e um(a) consulente bons, em conjunto, utilizando um oráculo.
Você pode ter o melhor oraculista atrás da mesa, se o consulente estiver lá com má vontade, dando informações desencontradas ou superficiais, meias palavras, desconfiança, ou com a atitude de “surpreenda-me”, a consulta vai ser monótona, curta e tediosa.
Quando um consulente chega cheio de dúvidas, poucas informações e uma atitude de “teste”, ele se torna o vampiro do(a) oraculista, que deve se defender imediatamente, percebendo a dinâmica e encerrando o atendimento.
Seguimos com alguns conceitos importantes para se ter em mente, quando você é o(a) consulente:

A expectativa sempre prejudica
Não caia na armadilha de achar que um bom momento, ou um momento esclarecedor, são precedidos por expectativa e excitação. Na verdade, costuma ser O CONTRÁRIO.
A expectativa e precipitação geram um excitamento e um estado mental de euforia, que não combinam com o ato de se consultar. O consulente deve também estar concentrado no seu momento e na sua questão, tanto quanto o oraculista.
A excitação da expectativa (como já dissemos neste texto), corta a conexão com o presente, e o oraculista não vai estar sempre disponível fora da consulta, portanto se existe um momento de estar presente com concentração, é o momento de se consultar.
A tensão quebra a comunicação, e a fantasia corta os laços com a realidade que deve se descortinar e resignifcar, e não se alterar em ilusões.
Não dê asas à seu cavalo mental. Fique presente, concentrada e receptiva.
“Me Surpreenda”
Como oraculista, sei que o pior tipo de consulente é aquele que vem e não se abre, mas fica testando a capacidade do oraculista de o surpreender com uma adivinhação certeira, para começar a acreditar.
Este tipo de consulente não está buscando uma compreensão de sua vida ou situação. Ele está buscando uma muleta para voltar a acreditar nas coisas em cuja fé ele mesmo perdeu.
O oraculista não deve aceitar este jogo, sob pena de se ver em uma armadilha onde só tem a perder e nada a ganhar.
O consulente deve saber se abrir, contar detalhes especialmente sobre seus sentimentos e explicar a situação, pois desta forma vai receber uma melhor contextualização (tradução) por parte do oraculista, consequentemente melhorando a comunicação e logo, saindo com mais recursos da consulta.

Julgar a situação como quem se observa, junto com o oraculista
Por difícil que pareça, o consulente deve manter uma postura de narrador em relação aos próprios sentimentos e situações.
Não adianta jogar a informação no peito do oraculista e correr dali. É preciso exercitar junto com o oraculista o detalhamento da situação, diferentes perspectivas e soluções.
O consulente é parte ativa da consulta; o oraculista bom transforma uma informação em três, mas um bom consulente deve saber dar boas informações com o menos de exagero e fantasia possível.
Não trazer outras consultas ou diagnósticos para a mesa
Eu sei que essa deveria ser de “senso comum” ou “bom senso”, mas você não tem ideia de quantas pessoas vem se consultar comigo tentando explicar, detalhar ou consertar uma consulta prévia com outros oraculistas.
Não é só muito chato, é também totalmente falho e sem sentido você tentar que outro oraculista explique métodos e conceitos que a sua consulta prévia falhou em ensinar. Não traga resultados passados de consultas e outros oráculos.
Perguntar por que o Sacerdote Ximbinha ou a Sacerdotisa Pipoquinha disseram tal coisa para você, é a mesma coisa que perguntar para sua atual namorada por que a sua ex escolheu ir embora com outro.
Bom senso é necessário.
Não tentar substituir o oraculista, é preciso agir junto, não alternadamente
Outra situação que você deve evitar, é tentar ser “parceira” do oraculista. Não tente interpretar as cartas junto com ele. Você tem o resto da vida após a consulta para reinterpretar e ver como aquilo foi útil ou não.
Se sair a carta da torre e o oraculista disser que seu relacionamento vai passar por um choque, seja mudança de local, briga ou até mesmo um emprego diferente que vai chocar a realidade presente do relacionamento, não adianta você reinterpretar.

Deixe a função de oraculista para o oraculista que você pagou e seja um bom consulente. Faça a sua parte, e 50% da consulta terá sido feito.
Quando Procurar uma Consulta
Você deve procurar uma consulta quando precisar de esclarecimento, ajuda, apoio e conselho. Quando a necessidade terapêutica e espiritual se encontram; quando você estiver ferida(o) e cansada(o) de suas batalhas.
Você não deve procurar uma consulta quando quiser um atalho, quando quiser testar a espiritualidade para acreditar em algo, ou para saber o signo do seu próximo namorado, ou a próxima data que você vai levar alguma mulher para a cama.
Dito isso, é bom você ter chegado até aqui, nesta instrução. Eu estive meio sumido. Do site, dos vídeos, do Instagram…
Nesse período, permaneci dando consultas oraculares e também aulas no nosso Círculo que está fechando para dar lugar ao novo projeto, que vai juntar todas as aulas e cursos antigos, a Escola Esotérica Experimental.
Um estudo e acompanhamento totalmente online sobre magia, espiritualidade e esoterismo. Tenho certeza que você vai gostar, e não vai perder em pedir mais informações no meu instagram.
Passei um período difícil, e a vida tem dessas coisas. Neste período de corrupção alheia, separação e total reconstrução de mim como homem e pessoa, eu me vi numa situação engraçada:
Eu dava consultas e me consultava também. Creio ter aprendido mais neste período do que nos últimos cinco anos, sobre pessoas, feitiços, destruição e cura, sobre ódio e amor, sobre dor e prazer.
Um mito que detesto, é puro marketing de internet, e te admoesto agora a não aceitar é de que: Se você tem espiritualidade, você não vai sofrer.
Aleister Crowley foi corneado (e passou cinco anos longe de qualquer coisa espiritual). McGregor Matthers elevou Crowley de nível em sua Ordem, como seu melhor amigo e prodígio magístico, só para brigar com ele depois e ver o fim da Golden Dawn decretado.
Helena Blavatsky confiou em pessoas que depois a expulsaram do próprio movimento que ela idealizou. Jack Parsons “manifestou” sua própria mulher escarlate na escadaria de sua casa, e engatou num relacionamento tóxico só para ter sua vida destroçada por ela.
O messias cristão foi traído, renegado e se sentiu abandonado. Prometheus, face de Lúcifer, foi punido por ter dado o fogo de Sophia ao ser humano, torturado. O próprio Lucifer, sabendo de seu destino disse: Prefiro reinar no inferno do que me submeter no paraíso.
Krishna se sujeitou a uma guerra entre derrotas e vitórias com Arjuna; Rama, encarnação de Narayana (Deus feito homem) perdeu a sua esposa raptada por um deus demônio e teve que pedir ajuda de diversos seres para regatá-la numa guerra absurda narrada no Ramayana.
Mas…o “Bruxo Pimenta”, o “Mestre Jão do Diabo Babão” e a “Sacerdotisa Lilithshtar” tem a chave para cessar seu sofrimento no instagram. Eles tem a “espiritualidade verdadeira”.
Por favor, não seja imbecil. A espiritualidade protege os inocentes mas condena os ingênuos.
É curioso quando alguém me procura numa consulta por morar no Oriente tem tantos anos, por ser iniciado em tal e tal coisa. É justo quando alguém me procura pelo meu conteúdo no Mente Magicka e no Morte Subita.
Mas a minha propaganda mesmo, a minha autoridade vem de ter vivido muitos momentos, bons e ruins (como este em que passei silencioso) e tirar conteúdo deles.
A autoridade de um oraculista não vem da sua tradição, do número de testemunhos escritos (eu nem publico mais isso), ela vem diretamente do quanto e da intensidade com que ele experienciou suas iniciações, êxtases e sofrimentos.
A minha consulta não é barata como a de um carteado de rua, nem cara como a da galera que vai no Paranormal Experience para falar de uma “nova era de amor” e “evolução”. Mas pode ser um bom começo, ou uma boa escolha para você.
Eu faço consultas com o Tarot (Thoth e Waite), mas a consulta particular que mais faço na primeira vez é a Consulta Akashica, baseada no Feng Shui pessoal, linhas das mãos e do rosto, data de nascimento e nome completo.
Ali vejo sua espiritualidade, lugar na família, cores pessoais, momento de vida, e falamos mais fundo de seus problemas particulares ao vivo.
Caso queira se consultar comigo, me manda um direct com pelo menos 10 dias de antecedência para garantir a agenda.

Não é necessário, no entanto, você se consultar comigo caso tenha seu oraculista preferido, caso nem queira oracular coisa alguma.
Pegue a instrução deste artigo, porque eu tenho certeza que um bom conhecimento sobre consultas e oráculos te foi acrescentado, e siga a partir disso.
Ciente desse acréscimo, fica ligada(o) no meu conteúdo no Instagram, coloca o Mente Magicka nos favoritos para não perder as novidades da escola e vídeos sobre magia, e a gente se vê lá.
Fiat Lux!
