Você sofre de hiper-reflexão.
Você se sabota, e não é quando está quase por ter sucesso. É antes mesmo de começar algo, tendo que se convencer tanto que pode encarar possíveis perigos, se trabalhar tanto para superar as dúvidas e fazer alguma coisa, que já começa em estado de exaustão, muito abaixo de sua capacidade.
Você se observa e condena mais do que qualquer deidade punitiva cultuada na sua família. Você tem em sua mente um problema que nenhum remédio ou pessoa pode resolver por você.
Com este problema controlando sua vida, não adianta magia, espiritualidade nem delírios de grandeza. Isso funciona como uma maldição, um parasita que não sai de dentro de você, se alimentando de suas limitações e frustrações.
Agora, não se desespere! Vou te ensinar aqui como lidar com a Hiper-Reflexão e os resultados nefastos que isso produz na sua vida.
Você vai aprender:
Hiper-Reflexão x Super Intenção
A instrução “Super Intenção – O que você quer demais não acontece” foi um dos nossos artigos mais lidos desde a criação do Mente Magicka enquanto blog de ensinamentos esotéricos, com mais de seis mil leituras até o momento em que escrevo esta nova instrução.
Hoje apresentamos outra questão de igual importância, a hiper-reflexão. Enquanto que a super intenção impede que você alcance o que quer, a hiper-reflexão impede que você seja quem quer, e quem de fato é.
Enquanto que a super intenção queima a performance e garante que não haja bons resultados, a hiper-reflexão gasta toda a energia para chegar na largada e resulta em sabotagem total, sem performance ou com perfomances exaustas, já sem energia, fadadas justamente aos erros imaginados.
A super intenção atrapalha o objetivo final, ela corta o processo e joga a atenção num futuro sem base, destrói a performance de qualquer coisa, desde falar com alguém, se apresentar, até competir por alguma coisa em público.
A hiper-reflexão atrapalha o início de qualquer coisa, a pessoa fica paralisada ou já começa a agir com apenas uma porcentagem de sua capacidade, já que inicia derrotada e com grande parte da energia já gasta para se convencer a agir.
A super intenção é uma ilusão de otimismo exagerado que o desejo ansioso produz; a hiper-reflexão é um pessimismo mortal, cola os pés no chão e impede qualquer tipo de crescimento.
A super intenção transfere a energia do espírito para longe do alvo; a hiper-reflexão impede que ela sequer se manifeste.
A magia com super intenção é fadada à rituais cada vez mais desesperados e ações cada vez mais estúpidas e fora de contexto; a magia com hiper-reflexão é fadada à rituais cheios de ilusão e ações tímidas, fracas e insuficientes, que só confirmam uma visão negativa de si e do mundo.

Assim como a Super Intenção, a Hiper-Reflexão também foi explorada na obra do psiquiatra, autor e sobrevivente de campos de concentração Viktor Frankl, mas é muito mais antiga que ele.
Já tem pelo menos uns três mil anos que a antiga China trata da hiper-reflexão bem como da super intenção, dentro de escolas esotéricas e filosóficas.

Antes de começarmos, vou contar uma história feita famosa pelo Doutor Frankl: Havia uma bela centopéia num determinado jardim, e todos se admiravam de sua elegância e forma de se mover.
Num dia triste, um grilo que como na maioria dos casos não se sabe se era invejoso ou burro, chamou a centopéia assim que ela acordou, para elogiar seu andar e perguntar qual das cem pernas ela movia primeiro ao se levantar. Desde aquele dia a centopéia não andou mais.
Hiper-reflexão x Espiritualidade
Não se preocupe, não vou ler a sua mente. É que a imensa maior parte das pessoas que procuram a espiritualidade, o fazem de dentro de seu atormentado “Eu”, condenado e obscurecido pelas “coisas da vida”.
A outra pequena parte (o resto), procura a espiritualidade para vender atalhos, promessas e métodos tirados do “fiofó” para ganhar dinheiro daquela maior parte.
Como não acho que você está aqui para saber mais sobre o marketing espiritualista (apesar de que pode aprender aqui), então suponho que você é uma das almas atormentadas fadadas à se trabalhar e vencer o próprio ego fragilizado, a maior dificuldade dos “espiritualistas” e “esotéricos”.
Você está em casa, relaxa, eu também sou. Não se preocupe com julgamentos. Eu aprendi a me duvidar, me calar e me censurar antes mesmo de aprender que cueca não era fralda.

Fato que é tendência viver dentro da concha da hiper-reflexão. Ela fecha as suas portas, te isola, te humilha e depois cria mil e uma histórias que justificam seu isolamento e inadequação; a maioria delas é catastrófica, mas muitas são vaidosas lendas de injustiça e incompreensão.
As narrativas da hiper-reflexão são bem mais rebuscadas e elaboradas que as da super intenção. Elas não dão espaço para o diálogo nem a preparação, apenas para a fuga e a conclusão precipitada, com base em dados inconscientes retirados de cada fracasso de sua vida.

Para colocar em termos de espiritualidade, poderíamos chamar a hiper-reflexão de auto obsessão. A pessoa obsediada pela sua própria mente, com formas pensamento, cascões de memória e miasmas energéticos impedindo de progredir e de se tornar quem é.
Um fantasma impossível de ser exorcizado pelo lado de fora, aqui o sangue de ninguém tem poder: nem de deuses, nem de virgens, nem da menstruação mental de quem deixou de usar suas capacidades e descobrir suas vontades por mais um mês.
A Maldição Familiar
Veja, não utilizamos o termo “obsessão” nem citei a minha infância à toa; saiba que a hiper-reflexão, na maioria dos casos é uma MALDIÇÃO FAMILIAR.
Ela se desenvolve junto com a “consciência” do ego o que não pode se confundir com Consciência do espírito nem com consciência animal.
Naquela primeira consciência, animal, aprendemos: eu sou filho de fulana, banana é doce, chocolate é mais tentador e proibido que a maçã do Éden, dedo na tomada é uma péssima ideia, e que nem todo peito é mamadeira. Pasme, muita gente fica por aqui várias décadas.
Na Consciência do espírito tomamos posse de determinados saberes, de determinadas características, sentimentos, trabalhamos nossos pensamentos, dialogamos com partes de nós, e conseguimos expandir isso para fora, para os outros. Poucas pessoas atingem essa consciência mas é o ideal de toda espiritualidade, e estar em desenvolvimento disso já faz uma encarnação valer a pena.
Entre estas duas consciências, a animal e a espiritual, existe a consciência do ego, que é a que mais usamos, a mais “comum”, e onde a maioria da humanidade fica estagnada.

A consciência do ego é a responsável pelo auto julgamento, consciência de personalidade, e se baseia principalmente na interação com o ambiente e com os outros, na forma como sentimos as suas reações, e, muito importante, no significado que aprendemos a dar para tudo isso em relação a nós.
Nem preciso dizer que o ambiente e os outros são representados principalmente pela sua primeira família, seus dramas, relações, conflitos e pontos de vista. É nessa fase que a mente perceptiva capta o “lado sombra” da família, que lhe é “generosamente” imposto, e a partir daí cria a imagem de si, o eu fragilizado que chamamos de Ego.
É aqui que entram as influências sombrias da família, que são captadas pela convivência física, mas também pelas noúres, os ventos astrais que carregam informações e sentimentos de determinadas coisas, prontos para serem descarregados como um download.
É neste ego, consciência infantil, frágil, e ao mesmo tempo base de nossa personalidade, que se concentra a maldição familiar; o pânico do julgamento, a dor pela crítica, o valor ao que é ruim, a condenação, a culpa, o desespero, a ansiedade catastrófica, a humilhação como falha no merecimento e ausência de valor pessoal se juntam no inferno de nosso inconsciente.
Inferno vem do latim infernus cujo significado é “o que está abaixo”, ou subterrâneo, ou até mesmo “oculto”. É ali que colocamos esta maldição e seus demônios guardiões.

Assim como no mito grego de Cerberus, o monstruoso cão de três cabeças que guarda as portas do inferno, na base do inferno de quem sofre de hiper-reflexão se juntam três caracteríscas trazidas da infância, seja pelas vivências físicas ou suas noúres:
– O medo do poder do “outro”, dos “maiores”, a necessidade de permissão externa.
– A consciência da minha fraqueza, da minha pequenez, de que sou menos; ela é alimentada por cada fracasso e insucesso, mesmo os ridiculamente pequenos.
– A punição. A crença de que meus erros devem ser punidos ou que são provas de que não posso fazer/obter determinada(s) coisa(s).
Eu sei que isso parece muito trágico, a maioria das pessoas vive na maldição e limitação da própria família com esse sistema parasita (hiper-reflexão) acompanhando o tempo todo, mas se você perceber é sinceramente RIDÍCULO.
É dramático, exagerado, pesado, e até risível, mas é fato que a hiper-reflexão nos acompanha em nossa consciência infantil e nos impede muitas vezes de manifestar ou exercer nossa consciência espiritual.
Agora, tem alguns jeitos de você conviver com isso e fazer melhorar muito…
O Direito De Ser Ridículo
A hiper-reflexão é olho do deus punitivo. Mesmo que sua família não tenha religião, o olhar punitivo de deus “pai” e “mãe” sempre estará ali, no inferno do seu inconsciente.
Este parasita espiritual, esteja ele agora ligado à uma imagem dévica, religiosa, parental, ou mesmo à apenas uma péssima auto imagem de você como um ser fracassado e fragilizado, ainda assim tem um ponto fraco, como qualquer figura de “poder”: A ridicularização.
A ridicularização é totalmente proibida em qualquer tipo de sistema de opressão, pois mesmo que por instantes ela expõe a relatividade da interação de forças, e faz com que o observador inteligente descubra brechas por onde sair.
Na hiper-reflexão não é diferente. Todos os medos se juntam no cão de três cabeças, um unico ser, no pavor da pior coisa que pode acontecer com você, que sofre de hiper-reflexão:
A ridicularização! Na minha família de infância chamavam de “passar vergonha”, e na sua talvez chamassem de “humilhação”, “perigo”, fracasso etc…mas é sempre a mesma coisa.
Como qualquer projeto de alquimista sabe que do veneno vem o antídoto (e não do seu oposto), você já deve ter percebido onde eu quero chegar.

É justamente na permissão do ridículo, aliás, na conquista do direito de ser ridículo, que se produz um dos remédios mais eficientes para lidar com a hiper-reflexão.
Pessoas amaldiçoadas com hiper-reflexão tem pânico de parecerem ridículas. O ridículo para elas é ligado imediatamente a humilhação, punição, tragédia.
O ridículo implica também em rejeição, e a rejeição para a pessoa que sofre de hiper-reflexão, não tem a ver com os motivos (na maioria das vezes totalmente ignorantes) de quem a rejeitou, e sim com a confirmação da merda indigna e fraca que ela é.
Um homem hiper-reflexivo que toma um fora da morena, não sofreu apenas uma frustração de seu desejo, mas recebeu um manifesto da própria natureza declarando o banimento de seus genes.
Uma mulher hiper-reflexiva que foi trocada por outra, não sofreu apenas um revés amoroso que faz parte de qualquer vida afetiva movimentada, mas obteve a confirmação de que é impossível de se conviver com ela por muito tempo, que sua intimidade é chata, e que ter um peito maior que o outro é uma monstruosidade que só homens carentes aceitam enquanto precisam transar.
Um hiper-reflexivo que sobe no palco para cantar pode gaguejar, engasgar, esquecer a letra da música que sempre canta no chuveiro, tudo devido ao nervosismo de estar diante do show de sua vida para milhares de pessoas no Madison Square Garden, mesmo que na verdade esteja só na festa de fim de ano da firma, com aquelas tias cabeludas e os mesmos colegas com cara de tédio.

Eu to dizendo que você deve conquistar este direito, e não é fácil! Como tudo na vida que é independente, que é teu, tem que ser tomado por assalto, com garra e com vontade.
Até para nascer é assim. Eu sei que você é um espírito e tal, mas para ter dois corpos a mais (físico e vital) que o fantasma que fica no pé de sua cama te observando dormir, você foi primeiro um espermatozóide, e passou todos os outros, correu mais, foi mais esperto e fecundou.
Para nascer, você deu uma parasitada numa mulher, comeu o que ela comeu, chutou os órgãos dela e quando resolveu sair, se não fez com que médicos abrissem a barriga dela, foi você mesmo(a) que arrombou a porta, literalmente. Se você duvida, pare a leitura por um instante e pergunte para sua mãe.
Não existe espaço neste mundo, nem mesmo direito, que não seja consquitado, que não seja definido por quem o ocupa.
E é por isso que eu não estou falando do alto de minha confiança, mas sim como um ser hiper-reflexivo que foi extremamenter tímido, que se julgava incapaz, fraco e tinha pavor da humilhação e do ridículo.
O direito de ser ridículo não me foi dado, nem muito menos ensinado (como eu to fazendo com você), eu adquiri este direito após muito sofrer e trabalhar em cima disso conscientemente.
Você tem este direito, mas vai reclamar por ele na internet, pintar cartaz, chorar, pedir, ou vai se dar essa permissão com trabalho de consciência constante, com experiências, até conseguir?
Senta que lá vem história…
Já devo ter mencionado em outros artigos, em várias aulas das que temos no grupo secreto e durante alguns cursos, que eu era um adolescente com baixíssima auto estima e uma série de fracassos já nas costas.
Quando decidi mudar, por não aguentar mais, por não poder mais suportar a mistura de TDAH, mediunidade ostensiva e hiper-reflexão, que fazia de mim o que eu considerava um fracassado tímido incapaz de sequer me comunicar, eu sabia que ações drásticas deveriam ser tomadas.
Magia. Não, eu não to falando de ficar acendendo vela, discutindo a cor da vela num forum, xingando alguém online porque discordou da cor, depois perguntando para o Tarot quem está certo antes de invocar algum espírito dentro do meu quarto num círculo pintado.
Magia! Aplicada, direcionada, consciente, motivada por fantasmas internos e ódio; forças que são aplicadas na magia simpática, e que neste caso – ou em casos como este – seriam eficientes se aplicadas nas minhas ações, não em bonecos, cristais, velas e incenso (apesar de que eu devo ter feito isso também, afinal vai que…).
Criei um programa para lidar com minha timidez patológica e principalmente lidar com o ridículo (do que eu tinha pânico). Lembro que no primeiro dia eu só perguntava as horas para alguém, depois na frente da mesma pessoa perguntava para outra.
Após alguns dias eu já caía na escada rolante do shopping, escorregava com uma bandeja de lanche e derrubava tudo, dançava de forma ridícula para meninas bonitas acompanhadas da mãe dizendo que era porque eu estava nervoso, perguntava onde comprar camisinha do Batman, subia para dançar em cima de qualquer coisa, depois ia embora ouvindo as risadas, a confusão e a crítica.
Claro que eu não fiquei só nisso, passei para fazer truques de mágica na rua, depois só para quem me interessasse, e foi um processo longo até eu perceber e me convencer de que ESTÁ TUDO BEM PASSAR PELO RIDÍCULO, todos passam, por querer e principalmente sem querer, e eu TENHO ESTE DIREITO.
Este direito de passar pelo ridículo foi adquirido com muita disciplina (na mesma época em que fazia meu desenvolvimento mediúnico) e nem eu sei como consegui, eu não sou muito disciplinado a menos que esteja em hiperfoco, pode ter sido o caso, até pela adrenalina.
Se funcionou? Bem, eu continuo hiper reflexivo. Agora, consigo lidar com isso, agir e viver mesmo APESAR disso. Eu dou aula, discurso, paquero, brigo, peço desculpas, peço ajuda, canto, danço igual a um urso polar e faço frequentemente coisas ridículas (a menor parte de propósito agora), como jamais imaginaria quem me conheceu antes dos meus vinte anos.
Se foi difícil? Lembro de procurar cantos para sentar e chorar sozinho algumas vezes no meio de exercícios que eu mesmo me impunha, e acordar com taquicardia suando no meio da noite por saber que era dia de “me trabalhar”.
Se foi rápido? Depois que fiz isso por cerca de um ano deliberadamente, três ou quatro dias por semana, passei a fazer só quando tinha interesse, e mais para conhecer mulheres novas do meu tipo (me apresentar pessoalmente); assim viria a conhecer todas as pessoas que dividiriam a cama comigo (e o sofá também).
Se valeu a pena? Eu estava provavelmente no caminho de me “desexistir”, então se existo é porque valeu. Me deu a base para uma vida afetiva mais movimentada que das minhas últimas três encarnações, me fez girar o mundo todo e agora escrever instruções como esta.
Se você tem que fazer? Não sei. Acho que foi um método mais “hardcore”, eu sou assim, sempre vou pelo caminho mais profundo ou extremo.
Se você pode fazer? Só se tiver medo e ódio de se sentir ridículo(a), sofrer de hiper-reflexão, ter uma vida afetiva insatisfatória e não conseguir se expressar como gostaria.
E aí? Você cumpre os requisitos?
Hiper-Reflexão e Bloqueios
A hiper-reflexão apesar de se resumir no medo do ridículo não é só neste âmbito que bloqueia a sua vida. Não se trata apenas de problemas de comunicação, expressão e timidez.
A inabilidade de agir de acordo com a própria Vontade, os propósitos pessoais e os seus interesses, causa bloqueios concentrados em diversas áreas, e vou apenas citar algumas.
– Bloqueio de desenvolvimento pessoal
A hiper-reflexão não permite a pessoa continuar por muito tempo com o desenvolvimento de qualquer habilidade.
Vai chegar um momento em que a pessoa se torna exausta, não pela tarefa de aprender, mas pela guerra interna de ter que provar que pode aprender e que vai conseguir, mesmo que em meio à dificuldades normais do aprendizado.
A crítica interna e a sensibilidade para detalhes inúteis vistos com dramatização, fazem a pessoa perder muito tempo desistindo, pensando, se motivando e procurando atalhos. Isso é exaustivo e tedioso, e logo a pessoa desiste do aprendizado.
– Bloqueio Afetivo
É impossível se relacionar sem se expressar. Especialmente num mundo em que até a afetividade virou mercado, com valores percebidos e exigências consideradas básicas, a hiper-reflexão gera uma sensibilidade dramática à rejeição, transfere o poder para qualquer estranho(a) atraente decidir quem você é, e com isso gera isolamento e ressentimento.

– Bloqueio financeiro
É impossível colocar as ideias para frente, confiar em projetos, lutar por uma promoção e principalmente, VENDER, quando se tem medo de ser ridículo e de ser rejeitado.
Vender é uma forma de expressão pessoal, e pode soar como ridícula para todos aqueles que se julgam moralmente superiores, seja por acharem que tem mais habilidade fazendo isso, seja por acharem que vender é um ato sujo – estes além de hiper-reflexivos ficam o resto da vida pobres. O castigo é duplo. – Nem no umbral deve ter espaço…
– Bloqueio Magísticko
Para ser iniciado não basta uma carteirinha, um nome de ordem ou ficar seguindo um grupo. O iniciado é bem mais do que aquele que passou por uma cerimônia vestido de medieval.
O iniciado, esoterista, vai passar por uma série de desafios, de conhecimentos, de estudos, e conhecer uma série de pessoas. Algumas dessas pessoas vão tentar leva-lo para longe de seu caminho, outras vão trazê-lo de volta; algumas serão más, outras boas, algumas das boas serão prejudiciais, e algumas das más serão benéficas.
O meio espiritualista é também um meio de uma maioria de pessoas doentes. Quem não desenvolver confiança no trato com estas pessoas, e principalmente com sua própria espiritualidade será, cedo ou tarde, devorado pelas suas mentes problemáticas e obsediadas.
– Bloqueio Mediúnico
É impossível ter confiança em algo etérico, astral, transcendental, com a hiper-reflexão dominando a sua mente.
Existem momentos na espiritualidade, e especialmente na vida mediúnica, em que ou se age com certeza (mesmo cheio de dúvidas) ou se entrega os pontos e dá dois passos para trás, sofrendo consequências igualmente graves.
É impossível estabelecer uma comunicação com outro plano estando hiper-reflexivo com seus significados; levando tudo a prova de fogo como se fosse caso de “mentira ou verdade”, duas palavras que só deveriam existir diante da pessoa à quem se é auferida a alcunha (a quem se aplica essas palavras).
Derreflexão
É claro que existem várias formas de lidar com a super-reflexão, tornando isso uma parte de nossa personalidade, uma parte que não é a dominante, apenas uma das vozes de nossa mente.
Para além de exercitar-se no direito de ser ridículo(a), existem dois conceitos muito importantes. O primeiro deles, ensinado pelo mesmo Viktor Frankl que citávamos no início, se chama Derreflexão.
A derreflexão é o ato de sair da hiper-reflexão, é parar de se identificar dentro do efeito dela. Para Frankl, deveríamos primeiramente ouvir a voz, permitir que ela comece a falar e então sair do local onde apenas ela fala.
Nos desassociamos da ação, como quem se observa de fora fazendo aquilo que se propõe, estando portanto sem associação com o resultado, apenas com a observação da ação em si.
É como se você se assistisse fazendo as coisas, prestando atenção ao que faz, como faz, e não a qualquer resultado, pois isso não existe neste “filme”.
Outra forma de fazer isso é saindo até mesmo do processo de ação, ignorando o resultado e lembrar apenas da CAUSA pelo que se fará aquilo.
No caso de uma lição de dança por exemplo, a causa é a beleza de dançar, a inspiração que se sente ao assistir uma dança bem feita, e nem sequer é o processo de passos, nem mesmo o resultado que é de fato dançar bem.

Resumindo, o que Frankl propõe é basicamente redirecionar a atenção, direcionando para a atividade e a experiência em si – Mente de experimentante – ou, em casos mais graves, simplesmente direcionando à causa da ação.
Essa técnica de Frankl casa bem com o conceito de mente “neti neti”, um conceito Hindu também milenar de “nem isso, nem aquilo”. A mente Neti Neti não quer desistir, mas não fica pensando no resultado. Ela está presente no fazer, no processo da situação.
A Dica de Ouro
Já falamos sobre a hiper-reflexão, o fato de ela se tratar de uma maldição familiar na maioria das vezes, no direito de ser ridículo como solução e até como prática ascética; falamos também na derreflexão proposta na Logoterapia para lidar com a mente hiper-reflexiva.
No entanto, este artigo seria incompleto se eu não apresentasse algo ainda mais simples mas de importância tal que nada que você aplique desta instrução vai funcionar caso seja ignorado.
Algo que, nestes dezessete anos de prática espiritualista, eu vi salvar diversas pessoas da loucura, da hiper-reflexão, da obsessão e até mesmo…do mal.
Confesso que não aprendi este “algo” nos meus primeiros anos de prática e estudo. Demorou para que eu compreendesse, e aprendi com um mago americano que vinha muito para o Oriente:

Foi o bom humor que salvou aquele mago em diversas dificuldades na espiritualidade e na vida em geral. Foi sempre o bom humor que me libertou, ainda que as vezes tardiamente, de loucuras, obsessões e ordálias aparentemente insolucionáveis.
As pessoas agem, especialmente na espiritualidade, como se bom humor fosse coisa de “zombeteiro”, confundindo o bizarro do exagero com a capacidade de rir de algo “sério”.
Tudo que é sério demais a ponto de não se poder rir no processo, é provavelmente uma proposta de opressão ou obsediamento.
Aliás, quanto mais sério, mais pesado for um tema, mais existe a necessidade de ser exposto e compreendido com quebras de humor, do contrário a própria profundidade do tema nos engole, e nos tornamos detentos naquela ideia (ela nos perturba), e não detentores de um novo saber (que podemos aplicar e explicar).
Foi necessário um mestre engraçado e bem humorado para que eu entendesse ideias que antes me causariam terror (vindo de uma espiritualidade cristã) dentro da magia, especialmente em relação à Aleister Crowley.
Em diversos momentos em que me vi quase sucumbindo à assedios espirituais tão comuns ao iniciado, e depreciações tão normais a um hiper-reflexivo, foi a mudança de visão, provocada por um bom humor sarcástico ou ridículo, por vezes até ácido, que me salvou do grande mal do espiritualista moderno: o ego de vidro.
O ego de vidro é um perigo muito comum na espiritualidade, e nessa área ele é como o deus dos cristãos: onipresente, invasivo e demandante.
A dica de ouro para você que leu até aqui (você é inteligente) é essa: Sem humor você enlouquece na vida e na espiritualidade, e não fica nesse meio de egos frágeis por muito tempo. É provável que termine na psiquiatria (como paciente) ou nas igrejas (como inimigo fidagal de um demônio que sempre te ignorou).
Dito isso, logo após a publicação deste artigo teremos aula deste tema no Círculo Secreto, ao vivo, e que fica gravada sempre no mural. Para esta e outras aulas mais antigas, considere entrar no Círculo, é onde expomos verbalmente, interagimos ao vivo e aprofundamos os temas de nossas instruções.
Caso não queira ainda entrar no círculo e sacrificar um hamburguer por mês (pois a contribuição mínima é 50 reais) para obter conhecimento esotérico de verdade, pelo menos nos siga no Instagram, e eu tenho certeza que um dia vai mudar de ideia.
Não te espero mas te chamo, porque eu sou Martin, o Frater Aquarius, e compartilho destas águas com você,
Fiat Lux! Ave Lux!
