Deixar Ir: O Passo Final Para a Manifestação

Você já deve ter notado que, mesmo quando você usa magia, macumba, simpatia, trabalho, petição, o que for, tem coisa que só se realiza depois de muita frustração, e após se transformar em exaustão ou desistência, aí só se pode deixar ir.

Quando algo deixa de ter todo o valor dramático que lhe foi colocado, quando não se aguenta mais, aquilo por ironia do destino, teimosia ou piada divina, se concretiza, quando você quase que “não queria mais tanto assim”.

Agora conseguimos, Charlie Brown…vencemos na vida.  

O fato é que isso tem fundamento, e não é qualquer coisa, é processo de magia e manifestação, que eu mesmo confesso desde o início, também sempre tive dificuldade (como todo ser humano) neste que é, geralmente, o passo para a manifestação, o último pique antes da linha de chegada.

Apesar de já termos explorado o desejo excessivo na nossa instrução sobre super-intenção, aqui o desejo não é excessivo, ele é apenas algo que precisa ser transformado, pela mesma causa que não se come sementes esperando degustar frutas.

Vamos juntos nessa instrução, apresentando este conceito sem o qual a sua manifestação insiste em brincar em realidades indesejadas, frustrando seu desejo e sua “necessidade” de fazer acontecer.

O Passo Mais Difícil

Quando a gente pensa em Magia e feitiços é muito comum pensar em rituais elaborados, palavras secretas, gestos estranhos, nomes proibidos; tentamos tirar força daí para a realização do que “precisamos”, para recuperar o poder em nossas vidas, nos sentirmos mais felizes.

Acontece que todas os métodos citados acima são apenas um condutor, uma forma de se alcançar algo que se busca: O estado mental de mudança. Este que é o estado mágicko.

Por isso que nada acontece após diversos rituais complicados, só para acontecer depois com uma vela, um pedido ou até mesmo…a desistência por exaustão ou frustração.

A cerveja, o vinho, o whisky são todos condutores diferentes para o álcool em seu corpo; ninguém bebe para continuar no mesmo estado.

Assim como os condutores alcoólicos servem para uma pessoa alterar a consciência, mesmo que um pouquinho, os rituais servem para alterar a sua mentalidade, sua energia, e à partir disso a realidade.

É também por isso que, mesmo com a famigerada Lei da Atração, existe uma penca de testemunhos diários de pessoas que conseguiram manifestar mentalmente desde bens materiais até verdadeiros milagres, que muitas vezes rituais complicados não produzem.

O fato é que você pode ficar “alegre” ou até anestesiado(a) tomando qualquer tipo de bebida, independente do preço, e você pode manifestar mudança em sua vida utilizando qualquer tipo de magia – independente de quão complicado, simples ou sombrio for o método.

O método na verdade não importa, porque você provavelmente vai travar no mesmo ponto. É o ponto de travamento “daquele seu problema”. Vamos lá, você sabe do que eu estou falando…

Aquele problema que você já acendeu vela, fez promessa, tentou um pacto, mudou de religião, trouxe talismã, comandou, pediu, implorou, tentou, se explodiu, mas sempre te pega, sempre é difícil ali para você…

Calma que eu não estou aqui para te vender uma solução. Mesmo que eu viva da internet, das minhas aulas e das minhas consultas, assim como você eu odeio marketing e coisas superficiais, ainda mais ligados à espiritualidade!

Eu to aqui para te apresentar um conceito mágicko muito importante, simples de dizer, necessário de explicar e difícil de colocar em prática: Você tem que deixar ir.

Se você chamou um demônio e ele apareceu no seu quarto com chifres e olhos amarelos, ou se você conseguiu se comunicar com uma fada, ou nem viu nada mas se sentiu igual ao Goku virando super sayajin durante sua prática mágicka, sem deixar ir, isso não vai te trazer nada de útil ou de bom.

Mas eu senti todo o podeeeeer, eu me arrepiei, Martins! Até meu cabelo ficou loiro platinado…meu desejo é muuuuuuuuuitooooo!

Até uma cabeça de fósforo consegue força de explosão, mas se o fogo não passar para outro lugar inflamável, ele morre bem rápido. Não seja uma cabeça de fósforo. Transfira o poder de sua manifestação, ela não vai frutificar em você!

Eu sei que é gostoso a gente se sentir poderoso de novo, sentir que retomou o controle, mas energia é algo que só toma forma e se multiplica em movimento. Por favor guarde essa palavra chave aqui, movimento.

Até se você tem dinheiro, qualquer dinheiro sem movimentação é um dinheiro com valor diminuído, fadado a passar com o tempo. Isso é regra para todo tipo de energia.

Claro que quanto maior for o fósforo, por mais tempo a chama vai se manter, mas o que você vai fazer com isso?

Quanto maior for a energia envolvida, maior o tempo que ela pode se manter, mas geralmente isso não é o suficiente para alterar uma realidade contrária ou prejudicial ao seu bem-estar.  

Sem movimentação, sem deixar a energia com suas intenções, fé, sentimentos, esperanças, frustrações, descambar para outras coisas, ela não dura, não frutifica nem atinge qualquer alvo.

Ele fez isso, putz…o cara recitou 72 salmos ao contrário para me chamar lá do inferno, expressar a vontade dele e continuar com ela enfiada no c…

A Única Forma de Vencer

Como já disse na Instrução sobre Thaumiel, muitas vezes na Magia e manifestação, as coisas não começam pelos pés, mas pela coroa. Nestes casos, o último passo, o deixar ir, é a única estratégia viável, a única forma de vencer.

Quando isso acontece, o deixar ir, ao invés de ser o último passo, se torna o passo primordial sem o qual nem vai se começar coisa alguma, e ele se transforma em “ir”. Outra variação, de libertação é, ao invés de ir, mandar.

Quem ou o quê você precisa mandar a “M” hoje para fazer seu banimento e começar a expressar sua vontade no mundo?

Veja que independente do que seja “o seu problema”, deixar ir vai estar lá como passo final (pouco importa o ritual sombrio que você fez antes); ou estará lá no princípio, na atitude sem a qual nada vai para a frente, enquanto você se queixa de “caminhos fechados”.

Um exemplo constante disso que estou falando eu vejo na vida de alguns consulentes que me procuram, especialmente em relação à vida financeira.

Muitas vezes, na minha consulta akáshica, o espírito junto com o feng shui mostra que a pessoa só vai ter prosperidade quando mudar de cidade (movimento, deixar ir, ir). Quando isso sai, não é uma opção, é uma condição ao que foi perguntado, mas algumas pessoas não entendem.

Cada cidade tem sua própria psicosfera, e até dentro de um mesmo país, existe muita variação energética, que acontece porque quem manda nesta psicosfera é a matriz da cidade, a serviço de matrizes maiores (culturais, nacionais).

A Matriz é um grande aglomerado de energias com consciência própria, mas sem qualquer tipo de inteligência; ela não interage, não tem emoções, apenas se preserva no poder da melhor forma que pode.

A Matriz sempre beneficia seus líderes (que a representam e a constituem) e seus preferidos. Sempre prejudica os mais independentes ou que não vibram da mesma forma. A matriz não reage bem à potencialidade de mudança, pois mudança pode significar seu fim (troca por outra matriz).

Existem cidades que podem ser benéficas para você, várias que são neutras, e outras que podem realmente te manter “por baixo”, sem potência, ou até acabar com sua vida. Em alguns lugares sua sorte floresce, em outros ela morre no que se chama de azar.

O problema principal com as matrizes geográficas é que você só entende o quão prejudicial ela pode ser, o quanto de sua alegria e sentimento de paz eram influenciados por ela (com suas regras, tipos de gente e opções), quando você já está em outra melhor (ou pior), e pouca gente tem essa experiência ou presta atenção à isso.

Você pode se dar bem em algumas metrópoles e em outras não. Isso não tem a ver com o fato de gostar de cidade grande ou campo. É a energia da matriz.

A Matriz não é a mesma para todos. Tenho um amigo que mora na mesma cidade em que estou, e que foi sempre mais “sortudo” que eu dentro dela, nas coisas relacionadas à oportunidades e facilidades-dificuldades que a matriz oferece, tudo foi mais fácil ou até oferecido para ele. Conheço exemplos contrários também.

Então, perceba, não existe matriz ruim para todos, ela beneficia alguns e prejudica outros, você não deve olhar se ela é “boa ou ruim”, pois a matriz é impessoal. É você quem deve definir se uma matriz é prejudicial, neutra ou benéfica para você.

Avaliar o quanto isso influi em sua vida, sem ter que se mudar antes, é um ato magicko por si só. Percebi que eu era mais feliz nos anos de 2016, 17, 18 e 19, mas demorei alguns anos para perceber que a mesma cidade mudou radicalmente pós pandemia, que aqui durou de 2020-2023 (três anos).

Quando você percebe isso, por auto análise e observação, você só tem duas opções: ir embora para outra matriz na primeira oportunidade, ou construir independência da matriz para então ir embora depois.

A primeira opção é de longe a mais rápida, eficaz e por dolorosa que possa ser, é menos sofrível. Foi o que fiz quando saí do Brasil há treze anos atrás. Arrumei uma mala na primeira oportunidade e voei na primeira promoção.

A segunda opção pode parecer mais equilibrada, só que é mais lenta, requer mais sofrimento, muito mais paciência, muito mais tempo e precisa de uma justificativa que valha a pena, do contrário, seu eu do futuro vai lhe cobrar este tempo perdido (e cobrar a quem você o dedicou), algo que é muito indigesto quando acontece.

O fato é que se você opta pela primeira escolha, precisa de mais do que coragem, se opta pela segunda precisa de mais do que paciência, e você não vai conseguir sem deixar ir. Você não vai ter a força para ir.  

Atente que as matrizes podem mudar, e mudam em casos de guerra, pandemia, revolução, crescimento financeiro e coisas do tipo. O problema é que o tempo disso acontecer pode ser mais longo até que a sua atual encarnação.

O mundo é muito grande, muito variável, e a vida muito curta para se ficar preso em matrizes que não permitem a expressão de seu espírito nesta encarnação, afinal você encarnou para isso.

Os consulentes que eu citei, caso não queiram “deixar ir” muitas das coisas que conhecem agora como “a realidade”, esta realidade não vai mudar, nem lenta nem rapidamente.

Eles continuarão com a mesma vida financeira (ou com pequenas variações) em vários anos, jogando o jogo da matriz, mesmo que façam rituais e achem estar praticando magia.

Magia é muito mais do que a ritualística, é a compreensão das coisas para poder influenciá-las. Não controlamos quase nada na vida (nem nossas emoções), mas podemos influenciar aquilo sobre o que temos conhecimento, e o esclarecimento é a forma de chegar lá.

Já se tornar independente da matriz para então ir embora, ao invés de deixá-la primeiro, requer que você crie toda uma estrutura de ganhos independentes e ações “fora da curva”, coisas que ninguém faz, e que por isso custam uma imensa pressão familiar, social, emocional e claro…espiritual.

É preciso mais que paciência, é preciso ter motivos muito importantes para não “ir” de imediato quando a matriz te prejudica ou não é benéfica.

Veja se os anos sacrificados vão valer por isso, se você realmente tem a disposição de ir muito mais lento sem cobrar isso de ninguém depois, pois é uma escolha sua.

Como dito, o último passo da manifestação de uma nova realidade, deixar ir, é também o primeiro passo da magia quando se está numa realidade prejudicial, a ação de ir. É também banimento contra a opressão e amarras energéticas e emocionais, o “mandar”.

É magia. É essencial. Reconsidere e duvide quando alguém se disser magista, sem isso no seu arsenal.

Um Conceito Sem Técnicas

Quando falo sobre este conceito é muito normal receber duas perguntas: “que livro pode me explicar a técnica?” e “qual exercício que a gente faz para deixar ir”.

Eu realmente gostaria de responder estas perguntas com uma lista disponível na Amazon ou uma meditação guiada, mas estaria sendo mentiroso ou leviano.

Você não aprende a “deixar ir” lendo, assim como não aprende a lutar lendo. Você pode ter acesso, no máximo, à uma teoria, um método introdutório para se acostumar com a ideia, o que pode ser bom, mas uma vez compreendida você precisa de muito mais.  

Você não adquire a “habilidade” de deixar ir, porque ela não é uma habilidade, não adianta “treinar”.

Você pode deixar ir uma situação e colher bons frutos, mas em outras, se esforçar ao ponto de soltar um pum, que não vai conseguir deixar ir sem antes desistir ou sem transferir a intenção.

A esperança é a última que morre, e muitas vezes ela precisa morrer, do contrário as coisas continuam como estão.

Não adianta se sentar numa cadeira respirando, imaginando energias, cores e mantrando sons sagrados enquanto visualiza entregar a situação para uma deidade. Quando você “voltar” ao estado normal, aquele “seu problema” estará te esperando de braços abertos.

Enfim, não existe técnica nem exercício para deixar ir, apenas uma decisão. Existem coisas na vida que ou se decide e faz, ou não se decide e as coisas continuam na direção que ventos mais fortes as levam.

A decisão é o motor para a ação, sem o qual mudanças não ocorrem. Deixar ir é uma decisão, um conceito, é uma atitude; não é uma técnica, nem um ritual.

Mas e agora Marte, eu achava que era só me vestir de mago, chamar o the mônio, acender vela em cima da hóstia, e o feitiço seria forte!!

Os feitiços mais fortes, no sentido de influírem em nosso mundo, começam com decisão, se desenvolvem em ação, terminam na gostosa indiferença de quem já venceu, e frutificam na grata compaixão de quem se digna a ensinar.

Sem decisão, tudo que você tem é desejo, e…não sei se você já percebeu, isso não tem qualquer força de manifestação. Qualquer imbecil sabe desejar, cobiçar, querer, pedir, demandar.

É preciso de bem mais do que isso para alterar uma realidade, e eu espero que você já tenha entendido, pois o entendimento disso pode proporcionar, por inteligência ou exaustão, a decisão que falta na sua vida para manifestar o que quer!

A porta só se abre para quem bate. Só ouve quem se cala. Só realiza quem permite não realizar. Ganha quem não precisa ganhar. Mais é dado para quem tem. Quem não tem, até o pouco que tem se lhe é tirado.

Estou ciente de que esta instrução é complexa, mas tenho certeza de que você entendeu mais do que duvida ter entendido. Uma decisão mágicka seguida de uma atitude diferente pode mudar a sua vida, como já mudou a minha várias vezes.

Quando saí do Brasil, tomei uma decisão mágicka. Quando saí de casa aos 18 anos sozinho numa noite, para tomar Ayahuasca, eu tomei uma decisão mágicka. Entre tantas, estas foram apenas duas que resultaram no que sou hoje.

Seus rituais são úteis para invocar forças e poderes, que só poderão entrar na sua vida e modificarem as coisas através da sua decisão.

Deixar ir, ir ou mandar, como vimos, são decisões que podem significar o fim de um ato mágicko ou o seu início. Isso é magia. E eu tenho certeza que agora você sabe mais disso do que muita gente que acha que magia é o “pó certo”, a cor da vela ou a vestimenta (isso tudo pode ser fundamento para gerar a decisão).

Te deixo com poucos parágrafos mas muito o que entender. Caso queira ter direção neste caminho e aprofundar ainda mais, eu tenho um Círculo de Aulas, que é baratíssimo, e elas ficam gravadas no mural dos “apoiadores” que participam dele.

Nos siga no Instagram para muito mais. Ali é onde coloco vídeos curtos, onde anuncio meus cursos, como as jornadas (Manifestação, Guardiões, Magia Afetiva, Ansiedade e Meditação) e as práticas (como a da criação de servidores) que acontecem ao vivo mas tem disponibilidade vitalícia.

Te vejo em algumas destas vivências, ou mesmo numa gratuita instrução escrita, afinal, eu sou Martin, o Frater Aquarius, e esta é a minha contribuição.

Fiat Lux

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